Três mulheres são mortas no Ceará e 18 suspeitos de violência doméstica presos no último fim de semana.

 Três mulheres são mortas no Ceará e 18 suspeitos de violência doméstica presos no último fim de semana.
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O último fim de semana foi marcado por episódios trágicos de violência contra a mulher. Três mulheres foram vítimas de feminicídio no Ceará, sendo dois casos registrados em Fortaleza e um na cidade de Ubajara, no Interior do Estado.

Com intuito de combater a violência de gênero, da noite da sexta-feira (14) até esse domingo (16), pelo menos 18 suspeitos foram presos, só em Fortaleza, devido a crimes contra mulheres e em razão de gênero.

Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), as prisões efetuadas por policiais militares foram decorrentes de casos de lesão corporal, injúria e ameaça. Referente aos três feminicídios, nenhum suspeito foi detido até o início da noite desta segunda-feira (17).

BUSCAS

A SSPDS explica que as 18 prisões aconteceram em situações distintas, sendo registrados na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), unidade especializada da Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE), no combate à violência de gênero.

Uma das capturas ocorreu no bairro Granja Lisboa, em Fortaleza. “Após um acionamento da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) da SSPDS, os PMs diligenciaram ao local, onde constataram a situação de violência contra uma mulher. Após as agressões, o homem foi localizado em um bar, onde foi rendido e conduzido à DDM”.

O suspeito tem 34 anos e antecedentes por três crimes de lesão corporal também registradas na DDM, além de um caso de estupro de vulnerável, registrado na Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca).

MORTA AO SAIR DE FESTA

Uma das mulheres mortas nos últimos dias foi a estudante Bárbara Bessa, de 25 anos. Ela foi assassinada a tiros ao sair de uma festa, no sábado (15), na Rua Senador Alencar, no Centro de Fortaleza. 

Segundo relatos de amigos ao Sistema Verdes Mares, o ex-companheiro de Bárbara é suspeito do crime. Ele não teria aceitado o fim do casamento de dois anos. O casal havia se separado há uma semana.

O homem, então, teria a procurado na festa, ocorrendo uma discussão. Conforme os relatos, quando Bárbara saiu do evento, foi seguida por ele e morta a tiros.

“Equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) estiveram no local colhendo indícios que auxiliarão nas investigações. O caso está a cargo da 4ª Delegacia do DHPP, unidade que realiza diligências para identificar a autoria do crime, bem como elucidar o fato”, afirma a Secretaria, sobre este caso.

OUTRAS VÍTIMAS

Outro feminicídio aconteceu no sábado (15). Cristiane dos Santos Pereira estava em casa, na Grande Messejana, e foi morta. O namorado da vítima é suspeito do crime. Há informações de que o casal mantinha um relacionamento conturbado.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social diz que Polícia Civil apura as circunstâncias da morte da mulher, localizada com lesões decorrentes de objetos perfurocortantes.

A terceira vítima de feminicídio no fim de semana morreu em Ubajara. De acordo com a Polícia, Maria Jaqueline Rodrigues Lima, de 25 anos, foi morta por disparos de arma de fogo. Este caso também segue sob investigação. 

DENÚNCIAS

A delegada titular da DDM de Fortaleza, Eliana Maia, ressalta a importância do debate para que outras vítimas se sintam encorajadas a denunciar. “Em casos de lesão corporal, cárcere, tentativa de feminicídio, violência psicológica, por exemplo, que são investigados sem a necessidade da representação da vítima, instauramos os procedimentos quando recebemos as denúncias, que podem ser feitas por terceiros”, diz.

“Em Fortaleza, todas as situações que se enquadram na Lei Maria da Penha, devem ser denunciadas à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), instalada na Casa da Mulher Brasileira, no bairro Couto Fernandes (AIS 5)”, informa a Pasta.

Denúncias de populares que possam levar às prisões dos suspeitos devem ser encaminhadas ainda para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp. O sigilo e o anonimato são garantidos pela Secretaria.

Diário do Nordeste