Laudo pericial de criança que morreu a caminho de hospital não aponta sinais externos de violência em Pentecoste.

 Laudo pericial de criança que morreu a caminho de hospital não aponta sinais externos de violência em Pentecoste.
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O corpo do menino de quatro anos que chegou morto a uma Unidade de Pronto Atendimento de Pentecoste, no interior do Ceará, não apresentou sinais externos de violência, conforme laudo da Perícia Forense (Pefoce). A informação foi divulgada pelo Ministério Público do estado. A criança foi levada sem vida à unidade hospitalar na última sexta-feira (14).

A mãe e o padrasto foram ouvidos em uma delegacia após equipe médica acionar a polícia, mas foram liberados após depoimentos. Em nota, a Polícia Civil disse que continua investigando o caso.

O Ministério Público informou que o laudo pericial não apontou sinais externos de violência, afastando a hipótese de espancamento. “O documento, emitido pela Perícia Forense do Estado do Ceará, foi inconclusivo, sendo necessário aguardar os demais exames técnicos para se chegar à causa exata da morte”, disse a nota do órgão ministerial.

O MPCE declarou também que todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas em relação à morte da criança. A Promotoria de Justiça da Comarca acompanha o caso junto à Polícia Civil.

“Nesse momento, a manifestação do MP depende da conclusão do inquérito policial, que deve ser finalizado nos próximos dias, após a elaboração do laudo da perícia. O Ministério Público aproveita o ensejo para lamentar, com profundo pesar, a morte desta criança”, complementou a nota.

Hematomas no corpo da criança

O pai e a avó materna de Francisco Nycolas Silva Soares, criança que chegou morta em unidade hospitalar no interior do Ceará, relataram ao Sistema Verdes Mares (SVM) que já haviam percebido hematomas e manchas roxas no corpo da criança.

O pai afirmou que via o menino duas vezes por mês, mas não tinha contato com a ex-esposa e seu novo namorado, que estariam juntos por cerca de dois anos.

“Quando aparecia hematoma, eu ligava para ela para saber e ela dizia que era brincadeira das crianças na creche. Estou arrasado, sem dormir, só pensando no que aconteceu. Não estou acreditando. É uma dor muito grande”, afirmou ao g1.

A avó materna de Nycolas disse que não teve mais contato com a mãe do menino desde que ela foi liberada da delegacia. A mulher ainda relatou que a criança a visitava a cada 15 dias e que já apareceu com hematomas no corpo em algumas dessas visitas. Ainda conforme a familiar, o Conselho Tutelar da cidade acompanhava a criança.

Em nota, o Conselho Tutelar disse que colegiado está trabalhando seguindo as orientações do Ministério Público e tomando as medidas necessárias diante do ocorrido. “O MP está tomando todas as medidas cabíveis quanto ao caso e junto a polícia civil e aguarda laudo pericial para mais informações. No momento é tudo que podemos informar”, afirmou o órgão.

A equipe médica que socorreu Francisco Nycolas percebeu que o garoto apresentava marcas e lesões no corpo, conforme apurado pela TV Verdes Mares, afiliada da Globo no Ceará.

Nycolas completou quatro anos no último dia 1º de julho. Em relato à TV Verdes Mares, testemunhas que acompanharam o momento em que Nycolas estava sendo socorrido, apontaram que tudo aconteceu por volta das 14 horas.

“Corri, peguei ele e pedi socorro à população. Fui para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) com ele. Os médicos tentaram reanimar, mas não deu”, disse a fonte em condição de anonimato.

A testemunha disse que não viu nenhuma marca na criança e que até tentou ajudar a socorrer Nycolas com uma massagem nas costas, mas sem resultado.

Outra fonte, também anônima, disse que também foi chamada para ajudar o menino. “Ele não falava mais nada, ficava só ‘espumando'”, comentou.

Quando os policiais chegaram na UPA, o padrasto do menino ficou assustado e disse a essa fonte que iriam “levar ele”. A testemunha respondeu:

“Vai não, fica calma. Se ‘tu’ deu só um tapa, não vão te levar não. Ele rezava pedindo a Deus para o menino voltar e chorava”, acrescentou.

Ainda não há mais detalhes sobre o caso, mas a prefeitura municipal da cidade emitiu nota de pesar onde fala da “violência que levou à morte da criança”. A creche onde o menino estudava também se manifestou.

G1 Ceará