Sumiço de prefeito foragido de Choró (CE), Bebeto Queiroz, completa três meses.

 Sumiço de prefeito foragido de Choró (CE), Bebeto Queiroz, completa três meses.

Foto: Reprodução/Instagram

Digiqole ad

Mesmo após três meses, o prefeito eleito de Choró, Bebeto Queiroz (PSB), ainda não foi localizado pela Polícia Federal (PF). Considerado foragido, após se tornar alvo de um mandado de prisão preventiva na Operação Vis Occulta, deflagrada em dezembro do ano passado, ele é acusado de envolvimento em um esquema de corrupção pelo desvio de recursos de emendas parlamentares para compra de votos em cidades no Ceará.

Ao que apontou a investigação da PF, foram realizadas dezenas de transferências de recursos financeiros para eleitores e candidatos, tanto por Bebeto como por aliados. Os investigadores indicaram que o prefeito eleito cometeu abuso de poder econômico, que a rede criminosa chegou a envolver um oficial da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e que a estratégia teria participação de um deputado federal, o Júnior Mano (PSB). O parlamentar nega envolvimento.

O gestor eleito do município da região do Sertão Central seria o líder de um esquema de “caixa dois”, envolvendo contratos públicos direcionados para empresas vinculadas à organização criminosa. Como contrapartida, os recursos públicos provenientes dos repasses do Congresso eram destinados ao financiamento ilícito das campanhas eleitorais em cidades cearenses.

MAIS DE 50 MUNICÍPIOS

Os investigadores lançaram luz na MK Serviços, Construções e Transporte Escolar, que seria usada para desviar o dinheiro público. O volume de contratos da empresa envolvida, cujo principal serviço foi o transporte escolar, chegou a R$ 318,9 milhões, segundo as investigações, e implicam mais de 50 municípios. As informações fazem parte de um relatório da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), feito a partir das ações da PF.

A investigação partiu de uma denúncia feita pela então prefeita de Canindé, Rosário Ximenes (Republicanos). Em depoimento ao Ministério Público do Ceará (MPCE), ainda durante a campanha eleitoral do ano passado, ela disse que, além de Bebeto, a irmã dele, Cleidiane de Queiroz Pereira, e o vigia e suposto empresário Maurício Gomes Coelho teriam atuado para tentar influenciar o resultado eleitoral nas cidades de Madalena, Quixadá, Boa Viagem, Aquiraz, Itaitinga, Canindé e São Gonçalo do Amarante.

Além das cidades citadas pela ex-prefeita, os investigadores identificaram contratos da empresa para prestação de serviços com os municípios de Acopiara, Alto Santo, Amontada, Apuiarés, Aracati, Aratuba, Barreira, Baturité, Camocim, Caridade, Choró, Coreaú, Farias Brito, General Sampaio, Guaiúba, Guaraciaba do Norte, Ibicuitinga, Independência, Iracema, Irauçuba, Itapajé, Itapipoca, Itatira, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Massapê, Milagres, Mombaça, Nova Russas, Pacajus, Parambu, Paraipaba, Paramoti, Pedra Branca, Quiterianópolis, Quixeramobim, Russas, Saboeiro, Sobral, Tejuçuoca e Viçosa do Ceará.

Em meados de janeiro, o Diário do Nordeste relacionou as prefeituras indicadas pelo relatório da FICCO, que se posicionaram sobre o assunto.

Fonte: Diário do Nordeste