Idosa dada como morta pela Secretaria da Saúde com suspeita de Covid-19 é transferida após 4 dias aguardando vaga em UTI no Ceará

 Idosa dada como morta pela Secretaria da Saúde com suspeita de Covid-19 é transferida após 4 dias aguardando vaga em UTI no Ceará
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Internada há oito dias com sintomas de Covid-19 na UPA de Messejana, em Fortaleza, em estado grave e aguardando por um leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a idosa de 87 anos Gonçala Calixto Morais foi dada como morta pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) na última quinta-feira (26), após a família entrar na Justiça para conseguir vaga em hospital. O erro na declaração do óbito também foi registrado na Justiça, por meio da Defensoria Pública do Ceará, que acompanha o caso.

Neste domingo (29), a Sesa informou que a idosa está sendo transferida para um leito no IJF 2, e aguarda resultado de exame para confirmar ou descartar Covid-19.

“O [hospital] Leonardo da Vinci negou vaga. Diz que só recebe com paciente confirmado. A Central de Leitos está empenhada. O grande problema é que ela não consegue realizar a tomografia. Então fica nisso, ela nem faz o exame e nem é transferida para canto nenhum. Só vai um profissional lá quando o respirador apita. Estamos perdendo a esperança. São oito dias e nada aconteceu”, relatou a neta Joélia Lima, antes de a secretaria se manifestar sobre a transferência.

O Ceará tem cinco mortes confirmadas pelo novo coronavírus, de acordo com boletim da Sesa divulgado neste domingo (29). O número de casos confirmados da doença já chega a 359 no estado. A maioria deles, 338, estão em Fortaleza.

Para conseguir a vaga, a família precisou entrar com uma ação de judicialização, através da Defensoria Pública, pedindo o leito, na última quarta-feira (25).

Nota

Em nota, a Sesa também disse que a paciente não foi transferida para o Hospital Leonardo da Vinci, unidade reativada em Fortaleza exclusivamente para o tratamento da Covid-19, porque o hospital recebe apenas pacientes com confirmação da doença.

“Portanto, não é aconselhável a internação de pessoas que não tenham a confirmação da doença, tendo em vista que existe o risco de contaminação”, acrescentou a Sesa.

A família da idosa alega que foi informada de que a paciente precisava realizar uma tomografia antes de ser transferida, mas o exame não havia sido feito até este domingo. Além disso, segundo os familiares, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) informou não estar realizando transporte de pessoas com suspeita ou confirmação de caso de Covid-19.

O G1 questionou a Sesa sobre as situações citadas acima, mas até a última atualização da reportagem não obteve retorno.

Declarada morta

Gonçala Morais já estava há pelo menos cinco dias internada na UPA com sintomas da doença quando a família resolveu acionar a Justiça para conseguir um leito de UTI em Fortaleza, obtendo decisão favorável pelo juiz da 5ª Vara da Fazenda Pública.

Na quinta-feira (26), a Sesa respondeu à Justiça afirmando que “foram tomadas todas as providências necessárias para o cumprimento da decisão”, mas que a paciente “veio à óbito no dia 26/03/2020 às 18h”. Neste sábado (28), uma prescrição médica foi assinada por um profissional da UPA de Messejana atestando que a idosa permanecia internada em “estado gravíssimo, aguardando leito de UTI”.

A família então recorreu à Defensoria Pública novamente, que anexou aos autos do processo o erro da secretaria.

“Segue valendo a determinação judicial e a Sesa deve acolher a paciente em leito compatível ao seu estado de saúde, como comprovado nos autos e determinado pela justiça”, confirmou a Defensoria Pública.

Ciclo do novo coronavírus - transmissão e sintomas — Foto: Aparecido Gonçalves/Arte G1